Márcio Bortolini afirma que reajuste recompõe a inflação e que revisão das gratuidades é necessária para equilibrar o sistema.
A Prefeitura de Foz do Iguaçu considera inevitável a atualização da tarifa do transporte coletivo para R$ 6, valor que deverá servir de referência para a implantação do novo modelo de concessão do serviço. Para a administração municipal, a recomposição da passagem, que hoje custa R$ 5, é uma condição para viabilizar a modernização do sistema, que prevê frota totalmente climatizada, ampliação das viagens, novos pontos de integração e ônibus mais novos.
A posição foi apresentada pelo secretário executivo do Gabinete do prefeito Silva e Luna, Márcio Bortolini, durante entrevista ao Portal Trivox. Segundo ele, o reajuste não representa um aumento para financiar as melhorias, mas apenas a atualização da inflação acumulada desde 2022.
“Não estamos aumentando a passagem para viabilizar a implementação do sistema. Estamos apenas recompondo a inflação. A tarifa atual foi definida em 2022 e hoje está defasada.”
Bortolini afirmou que, se fossem considerados os índices de reajuste previstos no contrato vigente — calculados principalmente pela variação do diesel e da folha de pagamento das empresas —, o valor da tarifa seria superior aos R$ 6 propostos.
“Se recompuséssemos a tarifa pelos reajustes contratuais, ela já seria maior que R$ 6. Estamos trabalhando apenas com a inflação.”

Tarifa ficará próxima da média estadual
Caso a proposta seja implementada, Foz do Iguaçu passará a ter uma das tarifas mais próximas da média praticada pelos principais municípios do Paraná. Atualmente, o transporte coletivo custa R$ 6,25 em Londrina, R$ 6,00 em Curitiba, R$ 5,80 em Maringá e R$ 4,65 em Cascavel.
Na avaliação do secretário, a comparação demonstra que o valor pretendido para Foz está alinhado ao cenário estadual, embora cada cidade possua características próprias de operação, número de passageiros, gratuidades e volume de subsídios públicos.
Melhorias terão custo
Durante a entrevista, Bortolini reconheceu que a Prefeitura não encontrou uma forma de ampliar significativamente a qualidade do transporte sem elevar os custos da operação.
“Infelizmente, não encontramos uma fórmula mágica para melhorar o sistema reduzindo os custos.”
Segundo ele, o estudo elaborado pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese) aponta um ganho de qualidade no serviço, com aumento da oferta de viagens durante a semana e aos fins de semana, criação de novos pontos de integração, frota 100% equipada com ar-condicionado e redução da idade média dos veículos.
Além disso, o futuro contrato permitirá revisões ao longo da concessão para acompanhar o crescimento da cidade e as mudanças na demanda dos usuários.
Gratuidade será revista
Outro ponto considerado fundamental pela Prefeitura é a revisão das gratuidades.
De acordo com Bortolini, o crescimento do número de beneficiários fez aumentar o custo do sistema sem elevar o número total de passageiros.
“A gratuidade não está trazendo novos usuários para o transporte coletivo. Ela está transformando usuários pagantes em usuários não pagantes.”
A proposta prevê que estudantes tenham o número de passagens gratuitas ajustado conforme a necessidade de deslocamento entre casa e instituição de ensino durante os dias úteis. Aos finais de semana, permanecerão disponíveis quatro passagens diárias para atividades esportivas, culturais e de lazer.
Para os idosos, a intenção é adequar a gratuidade ao que estabelece o Estatuto da Pessoa Idosa, concedendo novos benefícios apenas a partir dos 65 anos. Quem já possui o passe livre continuará com o direito preservado.
Segundo o secretário, os usuários entre 60 e 65 anos representam atualmente um contingente maior do que todas as demais faixas etárias acima de 65 anos, o que, na avaliação da administração, pressiona as contas do transporte coletivo.
Município diz que limite financeiro foi atingido
Bortolini afirmou ainda que Foz do Iguaçu já destina um dos maiores subsídios ao transporte coletivo entre os municípios paranaenses e que a situação financeira da Prefeitura impede ampliar esse aporte.
“Gostaríamos que o transporte fosse gratuito para todos, mas o município precisa manter investimentos em saúde, educação e segurança. Não há recursos para custear sozinho toda essa melhoria.”
Licitação
Sobre a recomendação do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) para que a nova licitação seja concluída até abril de 2027, evitando nova prorrogação do contrato atual, o secretário disse acreditar que o cronograma será cumprido.
Ele ponderou, porém, que fatores externos, como impugnações e questionamentos judiciais, poderão alterar os prazos.
“Estamos cumprindo o cronograma. Há tempo para concluir a licitação dentro da recomendação do Tribunal, mas existem fatores que não dependem apenas da Prefeitura.”



