Poços operados pela companhia podem atingir temperaturas de 59°C; recurso abastece 178 municípios de forma integral no Paraná
A Sanepar utiliza poços que podem ultrapassar 1 quilômetro de profundidade para captar água de aquíferos subterrâneos, como o Guarani e o Serra Geral. Em alguns pontos do Paraná, a água retirada do subsolo chega a temperaturas superiores a 50°C, exigindo processos específicos antes da distribuição à população.
Atualmente, a companhia opera poços com temperaturas entre 45°C e 50°C em Londrina, Jardim Alegre, Califórnia e Santa Mariana. O recorde registrado pela Sanepar chegou a 59°C. Para tratar e distribuir a água com segurança, a empresa utiliza sistemas de resfriamento que reduzem a temperatura para menos de 25°C antes do abastecimento.
O resfriamento também ajuda a preservar a qualidade da água e os equipamentos do sistema. Temperaturas elevadas podem acelerar a evaporação do cloro, favorecer a proliferação de bactérias e provocar danos ou deformações em tubulações e componentes. Além disso, a água muito quente pode alterar características sensoriais e prejudicar a aceitação pelos consumidores.
Ao todo, a Sanepar opera 1.221 poços responsáveis pelo abastecimento de 630 localidades. Desse total, 178 municípios dependem exclusivamente da água subterrânea, principalmente nas regiões Noroeste, Norte e Oeste do Paraná. O recurso também funciona como uma reserva estratégica durante períodos de estiagem, quando rios e represas apresentam menor disponibilidade.
Perfuração exige tecnologia e monitoramento
A abertura de um poço exige estudos geológicos e planejamento técnico. Antes da perfuração, a Sanepar analisa características do terreno, imagens de satélite, qualidade da água, vazão esperada e possíveis riscos de contaminação. O método utilizado também varia conforme o tipo de solo e rocha encontrado.
No Paraná, por exemplo, o sistema roto-pneumático permite perfurar formações mais resistentes, como o basalto. Depois da abertura do poço, testes de bombeamento e análises laboratoriais determinam a vazão e os processos necessários para o tratamento. Por causa das características naturais da água subterrânea, esse tratamento costuma ser mais simples do que o aplicado à água captada em rios.
Apesar da proteção proporcionada pelas camadas de solo e rocha, os aquíferos também estão sujeitos à contaminação e ao esgotamento. Ocupação urbana sem planejamento, descarte inadequado de efluentes e poços clandestinos estão entre os riscos monitorados pela companhia.
Para preservar a segurança do abastecimento, a Sanepar acompanha continuamente a qualidade da água, a vazão e o nível dos poços. Sistemas de telemetria permitem monitorar essas informações em tempo real, auxiliando na prevenção de desabastecimentos e no planejamento das manutenções.





