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Silva e Luna pisa no freio e trava R$ 30 mi do orçamento

Medida impõe contingenciamento, segura investimentos, limita horas extras e coloca novos contratos na mira do Executivo

O prefeito Silva e Luna decidiu pisar no freio da máquina pública. Em uma medida de forte impacto sobre a execução do orçamento municipal, o governo determinou o contingenciamento de R$ 29,38 milhões das despesas previstas para 2026.

O Decreto nº 34.834 foi publicado nesta terça-feira (11) no Diário Oficial Eletrônico do Município e estabelece uma limitação de empenho e movimentação financeira no âmbito do Poder Executivo.

A justificativa oficial é objetiva: uma frustração projetada das receitas correntes. Diante disso, o governo afirma que precisa conter despesas para preservar o equilíbrio das contas públicas e cumprir as metas fiscais.

Na prática, porém, a decisão mexe diretamente com a capacidade de gasto da Prefeitura.

E a lista do que entra na mira é significativa: investimentos com recursos próprios, horas extras de servidores, contratos de prestação de serviços e novos convênios ou contratos que exijam contrapartida financeira do município.

Corte nas horas extras

Um dos primeiros pontos atingidos é a realização de horas extras.

O decreto determina o bloqueio do lançamento de novos lotes de horas extras na folha de pagamento. A exceção fica para situações de força maior, segurança ou calamidade pública, desde que previamente autorizadas pelo prefeito.

A medida tem peso político e administrativo porque horas extras fazem parte da engrenagem de funcionamento de diversas áreas do serviço público.

Agora, a orientação é reduzir esse tipo de despesa e muitos setores com quadro de pessoal defasado se servem das horas extras para fazer a máquina pública andar.

Investimentos entram na linha de corte

Outro ponto sensível são os investimentos.

O decreto determina a redução daqueles realizados com recursos próprios do município. Isso não significa que obras estejam automaticamente canceladas, mas indica que novas despesas poderão ser seguradas, adiadas ou executadas em ritmo diferente do inicialmente planejado.

Também entram no radar os contratos de prestação de serviços.

Além de reduzir custos contratuais, a Prefeitura poderá adiar a celebração de novos contratos e convênios que dependam de contrapartida financeira municipal.

Em outras palavras: a máquina pública terá menos liberdade para abrir novas despesas.

O tamanho da conta

O número chama atenção: R$ 29.386.315,80.

É esse o valor global que deverá ser contingenciado entre os órgãos da Administração Direta e Indireta.

O rateio será proporcional às dotações destinadas a “outras despesas correntes” e investimentos.

As despesas que constituem obrigações constitucionais ou legais de execução ficam fora da limitação.

O próprio decreto também deixa uma porta aberta para a recomposição dos valores. Se a arrecadação melhorar, mesmo parcialmente, os recursos poderão voltar a ser liberados proporcionalmente ao tamanho dos cortes.

Por isso, tecnicamente, não se trata de um corte definitivo de R$ 29 milhões. É uma trava no orçamento.

Mas por que a arrecadação está frustrando?

O decreto informa que existe uma frustração projetada das receitas correntes, mas não apresenta, no próprio texto, um detalhamento das receitas que estão abaixo da expectativa.

Também não informa quais secretarias serão mais atingidas, quais investimentos poderão ser adiados ou quais contratos terão seus custos reduzidos.

O documento estabelece o freio. Ainda falta mostrar onde ele será aplicado.

Os setores a serem atingidos está dentro do poder de discricionaridade do prefeito. Ele decide o que será suprimido em termos de pessoal e investimentos.

A conta das escolhas

O contingenciamento também coloca o governo diante de uma equação política delicada.

De um lado, a Prefeitura precisa demonstrar responsabilidade fiscal e evitar assumir despesas incompatíveis com a arrecadação projetada.

De outro, segurar investimentos, reduzir horas extras e apertar contratos significa mexer diretamente no funcionamento da administração e na capacidade de entrega do governo.

Não é apenas uma questão de quanto dinheiro existe no caixa.

É também uma questão de onde o governo escolherá gastar o dinheiro que continuar disponível.

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