Brasil e Paraguai aceleram concessão da Hidrovia do Rio Paraguai

Brasil e Paraguai voltarão a se reunir no fim de julho para dar continuidade às negociações sobre a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai, considerada um dos mais importantes corredores logísticos da América do Sul. Como a hidrovia percorre territórios do Brasil, Paraguai e Bolívia, o avanço do projeto depende de um entendimento entre os três países.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (6) pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), após uma reunião bilateral realizada durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai.

Segundo a pasta, os governos reafirmaram o interesse em dar prosseguimento ao processo de concessão e definiram uma nova rodada de negociações técnicas para o fim deste mês. A expectativa é concluir os ajustes necessários para que o governo brasileiro possa avançar nas etapas regulatórias e administrativas que antecedem a publicação do edital.

Pelo cronograma da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, o edital deverá ser lançado no segundo semestre de 2026, enquanto o leilão está previsto para o primeiro semestre de 2027. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, entretanto, afirmou que o calendário dependerá da conclusão das negociações com Paraguai e Bolívia.

Primeira concessão de hidrovia do país

O projeto representa a primeira concessão de uma hidrovia no Brasil e é considerado estratégico para ampliar a participação do transporte hidroviário na matriz logística nacional.

A expectativa do governo é que a iniciativa privada assuma investimentos na manutenção da navegabilidade, dragagem, sinalização e gestão da via, aumentando a eficiência do transporte e reduzindo custos logísticos para diversos setores da economia.

Reflexos para Foz do Iguaçu e a Tríplice Fronteira

Embora Foz do Iguaçu não esteja às margens do Rio Paraguai, a cidade poderá ser beneficiada indiretamente pela modernização da hidrovia, em razão da forte integração logística da Tríplice Fronteira.

A Hidrovia do Rio Paraguai faz parte da Bacia do Prata e é uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola e mineral do Centro-Oeste brasileiro, especialmente de Mato Grosso do Sul, além de cargas provenientes da Bolívia e do Paraguai.

Esse fluxo influencia diretamente o comércio exterior da região de Foz do Iguaçu, onde está localizado um dos maiores portos secos da América Latina. Grande parte das mercadorias transportadas entre Brasil e Paraguai utiliza a estrutura logística da Tríplice Fronteira, que também ganhou importância com a construção da Ponte da Integração Brasil-Paraguai e da Perimetral Leste.

A melhoria da hidrovia poderá reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade das exportações e importações que passam pelo Paraguai, gerando reflexos positivos para operadores logísticos, transportadoras, despachantes aduaneiros e empresas instaladas na região de Foz do Iguaçu.

Por outro lado, problemas de navegabilidade, como os registrados durante períodos de estiagem severa, comprometem toda a cadeia logística. A redução do nível do Rio Paraguai limita o tráfego de barcaças, diminui a capacidade de transporte de cargas e eleva os custos dos fretes, impactos que acabam sendo sentidos ao longo de toda a rota comercial até a Tríplice Fronteira.

Para o governo federal, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai representa um passo importante para fortalecer a infraestrutura logística do Mercosul, ampliar a integração regional e consolidar novos corredores de exportação capazes de atender ao crescimento do comércio entre os países sul-americanos.

Últimas notícias