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Ex-líder sindical é procurado após relatos de abusos sexuais na família

João Valírio Rodrigues é investigado após familiar relatar 13 possíveis vítimas e abusos que teriam durado anos

Um homem que durante anos teve atuação destacada no movimento sindical de Foz do Iguaçu é procurado pela Justiça e vem sendo investigado por crimes sexuais que teriam como vítimas pessoas da própria família, inclusive os próprios filhos. João Valírio Rodrigues, de 54 anos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Foz do Iguaçu e é investigado por importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável.

As novas informações sobre o caso foram repassadas ao Portal Trivox por uma pessoa da família das vítimas, que acompanha a situação e relatou à reportagem detalhes que tornam o caso ainda mais dramático. O familiar, que preferiu não ser identificado, reclamou inclusive da condução do caso, que está sob responsabilidade do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria).

“O mandado de prisão ainda não foi registrado na Interpol”, contou, afirmando que, neste caso, o foragido poderia estar vivendo tranquilamente do outro lado da fronteira, no Paraguai.

Segundo esse familiar, 13 pessoas teriam admitido ter sido vítimas de abusos atribuídos ao investigado. Dessas, sete teriam formalizado denúncias. Os relatos envolveriam meninos e meninas que teriam sido abusados quando ainda eram menores de idade, em episódios que, conforme o familiar, teriam ocorrido dentro das próprias casas e se repetido ao longo de muitos anos.

Caso veio à tona após flagrante

Segundo o relato obtido pela reportagem, os abusos atribuídos a Rodrigues já haviam sido alvo de conversas na família há alguns anos, mas acabaram caindo no esquecimento no ambiente familiar. A situação ganhou outra dimensão no final de 2025, quando a sogra de Rodrigues teria flagrado o homem abusando de uma filha adulta que possui deficiência.

Ainda conforme o familiar, o flagrante teria sido o episódio que levou outras pessoas da família a romperem o silêncio e relatarem situações semelhantes que teriam ocorrido ao longo dos anos.

Entre os relatos estão histórias de vítimas que teriam sofrido os abusos ainda na infância e que somente posteriormente conseguiram falar sobre o que teria acontecido.

Sete denúncias formalizadas

O familiar afirma que 13 pessoas chegaram a admitir os abusos, mas somente sete teriam procurado as autoridades para formalizar denúncias.

Os relatos envolveriam homens e mulheres, todos com supostas situações iniciadas quando ainda eram menores de idade.

O que chama atenção, segundo a fonte familiar, é a repetição dos episódios durante um período prolongado, dentro de ambientes familiares nos quais as vítimas deveriam estar protegidas.

A investigação deverá estabelecer quais relatos possuem elementos suficientes para responsabilização criminal, quais episódios podem ser comprovados e a eventual participação de outras pessoas.

Mãe teria sabido e permanecido em silêncio

Outro aspecto relatado pelo familiar envolve a esposa do acusado.

Segundo ele, a mulher teria tomado conhecimento dos abusos, mas permaneceu em silêncio durante anos por vergonha e pelo medo de que os filhos ficassem sem o pai.

O relato mostra uma das dificuldades enfrentadas em situações de violência sexual dentro da família: o medo de romper vínculos, a vergonha e a preocupação com as consequências para os filhos podem contribuir para que episódios permaneçam ocultos durante anos.

Menina de 12 anos preocupa família

A situação também envolve uma filha de Rodrigues que atualmente tem 12 anos.

Segundo o familiar, a menina não teria sido submetida a exame de corpo de delito porque a mãe não teria autorizado o procedimento.

A reportagem ressalta que não há, neste momento, informação que permita afirmar que a menina tenha sido vítima de violência sexual. A preocupação relatada pela família é com a necessidade de garantir que a criança esteja protegida enquanto os fatos são esclarecidos pelas autoridades.

Esse familiar relata ainda que Rodrigues sempre teria usado ameaças para calar suas vítimas e as desencorajava a denunciar, dizendo que ninguém acreditaria nelas.

Investigado teve atuação sindical

João Valírio Rodrigues não é um nome desconhecido no meio sindical de Foz do Iguaçu. Ele integrou a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (SITROFI) entre 2021 e 2025 e foi uma liderança conhecida entre trabalhadores do setor.

Nucria, esposa e defesa foram procurados

O Portal Trivox entrou em contato com o advogado de defesa que consta no inquérito policial, e também com a esposa do acusado, mas, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. A reportagem também entrou com contato com a Polícia Civil. Assim que houver retorno, a matéria será atualizada.

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