Secretaria afirma que não há falta de medicamento; família diz que gravação de médico comprova que a criança deveria permanecer internada para iniciar o tratamento.
Após a publicação da reportagem do Portal Trivox, a Secretaria Municipal da Saúde de Foz do Iguaçu encaminhou nota oficial afirmando que a informação de que uma criança teria recebido alta da UPA João Samek por falta de medicamento para tratamento da leishmaniose “não retrata o fluxo assistencial estabelecido para essa doença” e, até o momento, não encontra respaldo nos registros assistenciais analisados.
Segundo a Secretaria, o tratamento da leishmaniose segue um protocolo específico definido pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde. A pasta explica que os medicamentos não permanecem estocados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), pois são disponibilizados pelo Governo do Estado mediante solicitação individual, após confirmação diagnóstica, preenchimento da documentação exigida e acompanhamento da Vigilância Epidemiológica e da unidade de saúde de referência.
A Administração Municipal também informou que não foi localizado qualquer registro assistencial que demonstre atendimento na UPA João Samek com indicação médica de tratamento para leishmaniose que tenha deixado de ser realizado por ausência do medicamento. Ainda de acordo com a nota, o caso está sendo objeto de apuração administrativa.
Entretanto, o avô da criança, Elias Datovo, rebateu o posicionamento da Secretaria e apresentou um áudio gravado durante o atendimento, atribuído ao médico que avaliou o menino na UPA João Samek.
Na gravação o profissional informa que a criança precisaria ir para a ala de Pediatria para iniciar o tratamento que era imprescindível, sob pena de a doença atacar os órgãos internos da criança. O tratamendo demandaria internação hospitalar, por isso, encaminhou imediatamente o paciente para a ala de Pediatria.
De acordo com o avô, pouco tempo depois a mãe da criança foi chamada pela equipe da unidade e informada de que o medicamento não estava disponível, motivo pelo qual o menino deveria retornar para casa e aguardar contato da Secretaria Municipal da Saúde quando o tratamento pudesse ser iniciado.
“O médico explicou que ele precisaria ficar internado de 18 a 20 dias para tomar a medicação e encaminhou meu neto para a Pediatria. Depois chamaram a mãe e disseram que não tinha o remédio em estoque, que era para levar ele para casa e aguardar um aviso da Saúde. Esse aviso nunca aconteceu”, afirmou Elias Datovo.
O conteúdo do áudio – ao que o Portal Trivox teve acesso – contradiz a versão apresentada pela Secretaria Municipal da Saúde, segundo a qual não houve interrupção do atendimento por falta de medicamento. O médico afirma claramente na conversa com a mãe do paciente que ele precisava ser internado.
Diante da divergência entre as versões, o Portal Trivox encaminhou novo questionamento à Secretaria Municipal da Saúde, solicitando esclarecimentos sobre o áudio apresentado pela família, se a gravação corresponde ao atendimento realizado na UPA João Samek e como o Município explica a diferença entre a orientação médica relatada no áudio e a nota oficial divulgada posteriormente.
Até a atualização desta reportagem, a Secretaria Municipal da Saúde não havia se manifestado sobre esses novos questionamentos. O espaço permanece aberto para novos esclarecimentos.



