Família afirma que menino foi liberado da UPA João Samek após diagnóstico, sem iniciar a medicação. Portal Trivox procurou a Prefeitura, mas não recebeu resposta.
Uma criança de 2 anos e meio, moradora de Foz do Iguaçu, foi diagnosticada com leishmaniose após passar por uma cirurgia para retirada de uma lesão na cavidade nasal. Segundo a família, apesar de a equipe médica ter informado inicialmente que o menino permaneceria internado para iniciar o tratamento, ele recebeu alta da UPA João Samek porque a unidade não dispunha do medicamento necessário.
O avô da criança, Elias Datovo, contou que o neto apresentava frequentes sangramentos pelo nariz, o que levou à realização da cirurgia. O material retirado foi encaminhado para biópsia, que confirmou o diagnóstico da doença.
“Foi feita uma cirurgia no nariz dele, retiraram uma obstrução que provocava muito sangramento. Depois da biópsia veio o diagnóstico de leishmaniose. Disseram que ele teria que ficar internado alguns dias para receber a medicação, mas depois informaram que voltasse para casa porque não tinha o remédio.”
Segundo Elias, a criança permaneceu algumas horas na unidade de saúde antes de ser liberada. A família afirma ainda que não recebeu qualquer previsão para a chegada do medicamento.
“Não disseram se chega em cinco dias, dez dias, quinze ou trinta. Simplesmente disseram que não tem.”
O avô relata que o estado de saúde do menino inspira preocupação. Além da perda de peso, ele afirma ter percebido lesões nas costas da criança durante um fim de semana em que ela esteve em sua casa.
“Disseram que era alergia à fralda, mas não me convenceu. Sempre usamos fraldas de boa qualidade e nunca aconteceu isso. Além disso, estava frio. Ele está muito magro, bem debilitado. Não está nada bem.”
Outra preocupação da família é o tempo de evolução da doença. Segundo Elias Datovo, a informação repassada pela equipe médica é de que a leishmaniose pode estar instalada há aproximadamente seis meses.
“Pelo que o médico nos explicou, ele pode estar com essa doença há uns seis meses. Para uma criança tão pequena isso é muito tempo. Ele sempre foi magrinho, mas agora a gente já não sabe mais o que está afetando ele. Os dentinhos dele também não estão legais. Os dois caninos parecem que não têm força para nascer. Está tudo muito difícil.”
Sem conseguir o início do tratamento, o avô procurou a Ouvidoria da Saúde, conversou com um vereador e tentou buscar auxílio junto ao Ministério Público, mas afirma que não obteve uma solução.
“Eu até falei que, se fosse preciso, compraria o medicamento. O hospital só teria que fazer o tratamento. Mas não obtive retorno. É uma burocracia do cão.”
Diante da situação, decidiu tornar o caso público por meio das redes sociais.

“Resolvi postar porque, de repente, alguém vê e faz alguma coisa. Parece que ninguém compra essa briga ou, quando compra, não tem força suficiente.”
O Portal Trivox entrou em contato com os secretários municipais de Saúde, Fábio de Melo, e com o de Comunicação Social, Luciano Vilela, solicitando esclarecimentos sobre o caso, especialmente quanto à disponibilidade do medicamento para tratamento da leishmaniose, os motivos da alta da criança sem o início da medicação, o protocolo adotado pela rede municipal e a previsão para o atendimento.
Assim que houver posicionamento do Executivo, a reportagem será atualizada.



