A secretária municipal da Mulher de Foz do Iguaçu, Scheila Fátima de Melo Rosso, recebeu simultaneamente salários da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná durante os meses de fevereiro, março, abril e maio de 2026, após o encerramento da licença de dois anos concedida pela Polícia Militar para exercer cargo civil.
Segundo documentos obtidos pela reportagem, a licença não remunerada terminou em 12 de fevereiro de 2026. Com o fim desse período, o Governo do Estado promoveu automaticamente o retorno de Scheila ao quadro ativo da Polícia Militar. Apesar disso, ela permaneceu no cargo de secretária municipal da Mulher e continuou recebendo remuneração do Município.
Mesmo após a Prefeitura suspender o pagamento referente ao mês de junho, o Portal da Transparência do Governo do Paraná registra que Scheila recebeu naquele mês R$ 10.356,98 como policial militar da ativa, valor composto por vencimento de R$ 9.480,50 e auxílio de R$ 876,48.
Na Prefeitura de Foz do Iguaçu, a remuneração do cargo de secretária municipal é superior a R$ 17 mil mensais.
Prefeitura afirma que suspendeu salário
Questionado pela reportagem, o secretário-chefe executivo de Gabinete do prefeito, Márcio Bortolini, informou que a administração municipal tomou conhecimento da situação após o Departamento de Recursos Humanos identificar que a secretária havia retornado ao quadro ativo da Polícia Militar.
Segundo ele, Scheila informou que está concluindo o tempo necessário para cumprir os requisitos da carreira militar e passar para a reserva, tendo comunicado à corporação sua intenção de permanecer no Município.
Ainda de acordo com Bortolini, a Prefeitura suspendeu o pagamento do salário referente ao mês de junho, aguardando a regularização da situação funcional da servidora.
Apesar da suspensão anunciada pelo Município, o Portal da Transparência do Governo do Paraná registra normalmente o pagamento da remuneração estadual referente ao mesmo período.
Licença terminou em fevereiro
A reportagem também teve acesso a informações internas da Prefeitura sobre a análise administrativa do caso.
Segundo uma fonte que participou da apuração e pediu para não ser identificada, Scheila havia obtido licença não remunerada de dois anos da Polícia Militar para exercer cargo civil.
Encerrado esse período, em 12 de fevereiro, a servidora retornou automaticamente ao quadro ativo da corporação.
Conforme o relato, ela permaneceu exercendo normalmente o cargo de secretária municipal, situação que levou o Departamento de Recursos Humanos da Prefeitura a solicitar informações ao Governo do Estado.
A resposta recebida confirmou que Scheila constava novamente como policial militar da ativa.
Ao ser questionada pela administração municipal, a secretária informou inicialmente que os valores recebidos seriam referentes à aposentadoria. Entretanto, após conferência dos registros funcionais e do Portal da Transparência, verificou-se que a remuneração estava vinculada ao cargo ativo da Polícia Militar.
Diante da constatação, foi elaborado parecer jurídico interno concluindo que a situação deveria ser regularizada imediatamente.
“A situação está irregular. Precisa ser resolvida imediatamente. Hoje a batata quente está no colo do município. O município está com uma situação irregular e a gente tem que resolver isso”, afirmou a fonte.
O parecer também recomendou que a Prefeitura comunicasse oficialmente a Polícia Militar para adoção das providências administrativas cabíveis.
Quatro meses de dupla remuneração
Segundo a documentação analisada pela reportagem, a situação ocorreu porque o período de licença concedido pela Polícia Militar encerrou-se em 12 de fevereiro, fazendo com que Scheila voltasse automaticamente ao quadro ativo da corporação.
Mesmo assim, ela permaneceu exercendo o cargo de secretária municipal e recebeu remuneração tanto do Estado quanto da Prefeitura durante os meses de fevereiro, março, abril e maio.
Somente após a identificação da situação pelo Departamento de Recursos Humanos a Prefeitura informou ter suspendido o pagamento do salário municipal referente ao mês de junho.
Atos administrativos
Além da regularização da situação funcional da servidora, a análise interna também apontou a necessidade de verificar os atos administrativos praticados pela secretária após o encerramento da licença.
Segundo a fonte, caso seja necessário, o prefeito poderá ratificar administrativamente atos considerados relevantes para preservar sua validade.
Jornalistas foram bloqueados
Antes da publicação desta reportagem, os jornalistas Natália Peres e Ed Queiroz procuraram a secretária Scheila Rosso para obter sua versão sobre os fatos.
Após as tentativas de contato, ambos foram bloqueados no telefone celular da secretária, impossibilitando novas solicitações de entrevista por esse canal.
Até o fechamento desta reportagem, Scheila Rosso não encaminhou manifestação.
Histórico político
Scheila Rosso ingressou na Polícia Militar em 10 de julho de 2002, conforme registra o Portal da Transparência do Estado.
Em 2020, foi candidata a vereadora em Foz do Iguaçu e recebeu 971 votos, ficando na suplência.
Dois anos depois, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná, obtendo 4.732 votos.

