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Relatório revela falhas que antecederam tragédia do voo da Voepass que saiu de Cascavel

Investigação conclui que problemas de manutenção, falhas no sistema de degelo e erros operacionais contribuíram para o acidente que matou 62 pessoas.

Quase dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, que decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final da investigação técnica sobre o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior paulista.

O documento conclui que a tragédia não teve uma única causa, mas foi resultado de uma combinação de 19 fatores contribuintes, envolvendo falhas técnicas, operacionais, humanas, organizacionais e condições meteorológicas severas.

Entre os principais pontos apontados pelo Cenipa está a falha recorrente no sistema de degelo das asas, identificada em voos anteriores e também durante a viagem que terminou em acidente. A investigação aponta que a aeronave enfrentou intensa formação de gelo durante o trajeto, perdeu desempenho e entrou em estol, seguido de um parafuso chato até a queda.

O relatório também identificou problemas na manutenção da aeronave, falhas no registro de panes, deficiência no gerenciamento operacional da companhia e procedimentos que acabaram sendo normalizados ao longo do tempo. Segundo o Cenipa, havia um ambiente organizacional que tolerava desvios de segurança, permitindo que aeronaves continuassem operando mesmo diante de ocorrências técnicas que deveriam receber tratamento mais rigoroso.

Outro ponto destacado pelos investigadores é que o ATR-72 apresentava falhas técnicas antes mesmo da decolagem em Cascavel. Conforme o relatório, a aeronave possuía itens que restringiam sua operação e, nas condições meteorológicas daquele dia, não deveria ter iniciado o voo.

Além dos problemas mecânicos, a investigação concluiu que a tripulação não executou, em tempo hábil, todos os procedimentos previstos para enfrentar a formação de gelo durante o voo. Alertas emitidos pelos sistemas da aeronave não receberam a resposta esperada, contribuindo para a perda de controle do avião.

Apesar das conclusões, o Cenipa reforçou que o relatório possui caráter exclusivamente preventivo e não atribui responsabilidades civis ou criminais. O objetivo é identificar fatores contribuintes para evitar novos acidentes. A apuração de eventuais responsabilidades continua sendo conduzida pelos órgãos competentes.

O voo 2283 caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), poucos minutos antes do pouso previsto em Guarulhos. Todas as 62 pessoas a bordo morreram, no maior desastre da aviação comercial brasileira desde o acidente da TAM, em 2007. A aeronave havia partido de Cascavel, o que fez com que a tragédia também mobilizasse moradores do Oeste do Paraná.

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