Edital prevê frota moderna e novos serviços, mas modelagem indica aumento do aporte público; audiência pública será em 6 de agosto.
A nova concessão do transporte coletivo de Foz do Iguaçu poderá exigir um aumento expressivo da participação financeira da Prefeitura para manter o equilíbrio econômico-financeiro do sistema. Cálculos preliminares elaborados a partir da modelagem da licitação indicam que o subsídio atualmente destinado ao transporte poderá mais que dobrar durante a vigência do novo contrato.
Hoje, o Município aporta aproximadamente R$ 2,5 milhões por mês para complementar a remuneração da operação, totalizando cerca de R$ 30 milhões por ano. A minuta do edital mantém os aportes públicos como uma das fontes de receita da futura concessionária, ao lado da arrecadação tarifária e das receitas acessórias.
O novo contrato, entretanto, também prevê uma transformação significativa no sistema de transporte coletivo. A futura concessionária deverá operar com frota mais moderna, veículos com acessibilidade, ar-condicionado, monitoramento por GPS, câmeras de segurança, internet sem fio (Wi-Fi), sistema de informação ao usuário em tempo real e bilhetagem eletrônica integrada. O edital também estabelece metas de desempenho, indicadores de qualidade, fiscalização por verificador independente e renovação periódica da frota, buscando oferecer um serviço mais eficiente, confortável e confiável para a população.
Essas exigências representam um avanço em relação ao modelo atual, mas também elevam os custos operacionais da concessão, refletindo diretamente na necessidade de maior remuneração do sistema.
Caso as projeções se confirmem, o impacto sobre as finanças municipais poderá ser significativo. Com um orçamento pressionado por despesas obrigatórias e sucessivas medidas de contenção de gastos adotadas pela administração, o aumento do subsídio exigirá decisões que vão além da gestão do transporte coletivo.
Com o orçamente permanentemente pressionado, a elevação do custo tende a reduzir a margem de atuação do Município. Entre as alternativas apontadas para preservar o equilíbrio econômico-financeiro do sistema estão a revisão da política de gratuidades, com a definição de fontes específicas de custeio para benefícios concedidos, e reajustes da tarifa paga pelos usuários. Outras medidas de compensação financeira também poderão ser discutidas durante a implantação do novo modelo.
A minuta do edital ainda deverá ser complementada pela modelagem econômico-financeira definitiva, documento que deverá indicar com maior precisão o custo projetado da concessão e a participação financeira esperada do Município ao longo dos 20 anos de contrato.
A combinação entre uma frota mais moderna, maior controle da operação e novas exigências de qualidade tende a elevar o padrão do transporte coletivo em Foz do Iguaçu. O desafio da administração municipal será compatibilizar esses investimentos com a capacidade financeira do Município, preservando o equilíbrio do contrato sem comprometer outras áreas essenciais do orçamento público.
Audiência pública
Antes da publicação do edital definitivo, a Prefeitura promoverá uma audiência pública para apresentar a proposta da nova concessão e colher sugestões da população, entidades e representantes do setor.
O encontro será realizado no dia 6 de agosto de 2026 (quinta-feira), às 19 horas, no Auditório do SEST SENAT, localizado na Rua Rufino Vilhordo, nº 155, bairro Lancaster, em Foz do Iguaçu.
Durante a audiência, serão apresentados os principais pontos da modelagem da concessão, incluindo as mudanças previstas para o sistema, os investimentos projetados, os critérios de remuneração da futura concessionária e as regras que nortearão a licitação. A participação da população permitirá que sugestões e questionamentos sejam incorporados ao processo antes da publicação do edital definitivo.



