Foztrans afirma que cruzamentos foram escolhidos pelo número de acidentes, mas não apresentou os estudos técnicos e estatísticas.
A instalação de mais dois radares de velocidade na região central de Foz do Iguaçu amplia a rede de fiscalização eletrônica da cidade e reacende uma discussão recorrente entre motoristas: quais critérios são utilizados para definir os locais dos equipamentos e quais resultados eles têm produzido na redução de acidentes?
Os novos radares entraram em operação nos cruzamentos da Rua Santos Dumont com as ruas Xavier da Silva e Bartolomeu de Gusmão. Segundo o Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans), os pontos foram escolhidos com base no histórico de acidentes registrados na região.
A justificativa, no entanto, abre espaço para questionamentos de interesse público. O Foztrans não informou, por exemplo, quantos acidentes ocorreram em cada cruzamento, qual o período analisado, quantos envolveram vítimas e se o excesso de velocidade foi apontado como a principal causa dos sinistros.
Essas informações são importantes porque permitem à população compreender a necessidade da instalação dos equipamentos e avaliar a efetividade da medida.
Outro dado que também desperta interesse é o impacto da fiscalização eletrônica já existente na cidade. Quantos radares estão atualmente em operação em Foz do Iguaçu? Em quais pontos houve redução comprovada no número de acidentes após a instalação dos equipamentos? Quanto o município arrecada anualmente com multas de trânsito e qual o percentual desses recursos vem sendo aplicado em educação para o trânsito, engenharia viária e sinalização, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro?
Sem esses indicadores divulgados de forma clara, a população acaba tendo dificuldade para avaliar se a ampliação da fiscalização eletrônica está alcançando o objetivo principal anunciado pelo poder público: salvar vidas.
O diretor de Trânsito e Sistema Viário do Foztrans, Luiz Borella, afirmou que o remanejamento dos equipamentos foi realizado porque os cruzamentos apresentam maior número de sinistros e que a fiscalização eletrônica busca aumentar o respeito às normas de trânsito e reduzir acidentes.
Os dois equipamentos já passaram pela aferição do Inmetro e estão em funcionamento.
Diante da ampliação da fiscalização eletrônica, cresce também a importância de o município divulgar periodicamente estudos técnicos, estatísticas de acidentes e os resultados obtidos com cada novo radar. A transparência desses dados é fundamental para que a população acompanhe a eficácia das políticas públicas de segurança viária.

