Empresários defendem mudanças na Ponte da Amizade, enquanto Sindifoz atribui parte da solução à operação da aduana paraguaia.
O comércio de Ciudad del Este acredita que pode ampliar em até 30% o volume de vendas caso sejam implementadas melhorias na circulação de veículos entre Paraguai e Brasil, especialmente na Ponte da Amizade. A estimativa é da Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este, que defende mudanças no fluxo de caminhões enquanto a infraestrutura da Ponte da Integração ainda não está totalmente concluída.
Apesar do bom desempenho registrado no primeiro semestre de 2026, o setor afirma que o potencial de crescimento da economia da fronteira continua limitado pelos congestionamentos diários enfrentados por turistas, compradores e transportadores.
Dados do Banco Central do Paraguai (BCP) mostram que as reexportações somaram US$ 2,6 bilhões entre janeiro e junho, crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações realizadas pelo Regime de Turismo também avançaram, alcançando US$ 2 bilhões, alta de 40% na comparação anual.
Em entrevista ao portal paraguaio Infonegocios, o presidente da Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este, Said Taigen, afirmou que os resultados poderiam ser ainda melhores caso houvesse maior fluidez no trânsito entre os dois países.
“Temos condições de aumentar nossas vendas em aproximadamente 30%. Isso significaria mais importações, mais arrecadação de impostos, novos investimentos e geração de empregos para toda a região”, afirmou.
Proposta é restringir circulação de caminhões durante o dia
Segundo Taigen, o principal obstáculo continua sendo a concentração do tráfego de caminhões de carga, veículos de passeio e ônibus turísticos na Ponte da Amizade, única ligação plenamente operacional entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.
Enquanto a Ponte da Integração ainda aguarda a conclusão das obras de acesso em território paraguaio para assumir o tráfego pesado, caminhões e turistas disputam espaço na mesma travessia, provocando filas que, em horários de pico, ultrapassam uma hora.
Em uma carta encaminhada às autoridades paraguaias, a Câmara de Comércio propõe que os caminhões carregados utilizem a Ponte da Amizade apenas entre 17h e 6h, liberando o período diurno para turistas, trabalhadores, ônibus e veículos leves. A entidade também pede maior articulação entre os governos do Paraguai e do Brasil para encontrar uma solução definitiva para a mobilidade na fronteira.
Sindifoz diz que parte da solução depende do Paraguai
Crazy Week evidenciou o problema
Durante a entrevista ao Infonegocios, Taigen citou a Crazy Week, realizada em maio, como exemplo dos prejuízos causados pela lentidão na fronteira. Segundo dados compartilhados pela Receita Federal do Brasil com a Câmara de Comércio, cerca de 240 mil pessoas cruzaram a Ponte da Amizade durante os quatro dias da campanha promocional.
Entretanto, estimativas do setor hoteleiro apontavam que aproximadamente 340 mil turistas estavam hospedados em Foz do Iguaçu no mesmo período.
Na avaliação do dirigente paraguaio, cerca de 100 mil visitantes deixaram de ir a Ciudad del Este por causa das longas filas para ingressar no país e acabaram realizando compras nos duty free shops de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú.
Divergência sobre as prioridades
Enquanto a Câmara de Comércio de Ciudad del Este defende a restrição do tráfego de caminhões durante o dia para favorecer o turismo de compras, o Sindifoz sustenta que parte importante da solução depende do próprio governo paraguaio, com investimentos na infraestrutura aduaneira, ampliação da operação noturna e modernização do sistema de atendimento aos caminhões. “Eles precisam cumprir a parte deles em todos os sentidos. Quem dificulta o trânsito são eles mesmos. No setor de transporte, deveriam recepcionar caminhões à noite, igual faz o Brasil com a sua operação noturna, que atende as exportações do Paraguai.”, defende o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas de Foz do Iguaçu (Sindifoz), Celso Gallegario.
O dirigente sindical afirma que o Brasil já mantém atendimento noturno para o transporte internacional de cargas, enquanto o Paraguai continua concentrando a movimentação na atual aduana de Ciudad del Este, estrutura que considera insuficiente para o volume diário de veículos.
“As nossas exportações ficam sobre a Ponte da Amizade por horas porque eles insistem na aduana do ‘buraco’, em Ciudad del Este, sem infraestrutura e em condições precárias para os motoristas.”



