Publicidade

Estado já cuida até da agenda do Centro de Convenções, mas entidade mantém diretoria de R$ 50 mil por mês

Os diretores e assessoria jurídica são bancados com dinheiro que o Paraná pagou pelo espaço; valor seria usado para construir uma nova sede para a Prefeitura.

O Centro de Convenções de Foz do Iguaçu, criado há décadas para transformar a cidade em um dos principais destinos brasileiros do turismo de eventos, chega ao capítulo final de sua história nesta quinta-feira (7). Em assembleia convocada para deliberar sobre a extinção da pessoa jurídica responsável pela administração do espaço, o desfecho já é praticamente conhecido: o Município, que detém cerca de 92% dos votos, é favorável ao encerramento definitivo da entidade. Na sequência, um projeto deverá ser encaminhado à Câmara de Vereadores para aprovação do encerramento da PJ.

O que chama atenção, porém, é que, mesmo após o Governo do Paraná assumir a gestão do imóvel, a agenda de eventos e anunciar um projeto de revitalização de aproximadamente R$ 200 milhões, a entidade continua mantendo uma estrutura administrativa que custa R$ 50.186,68 por mês aos cofres públicos.

Levantamento do Portal Trivox mostra que o diretor-presidente Roni Ragadali recebe R$ 17.077,86 mensais. O diretor técnico Vilmar Gonçalves de Azevedo tem remuneração de R$ 13.804,41. Já a diretora administrativa e financeira Anna Carolina Berni, nomeada em julho deste ano, em substituição a Leilane Dalla Benetta, também recebe R$ 13.804,41.

Além da diretoria, a entidade mantém contrato de assessoria jurídica no valor de R$ 5.500 mensais.

Somadas, as despesas chegam a R$ 50.186,68 por mês, ou R$ 602.240,16 por ano, sem considerar encargos trabalhistas e outras despesas administrativas. O dinheiro para o pagamento destas despesas foi descontado do total pago ao município pelo Centro de Convenções, ou seja, do patrimônio público municipal.

Nomeação na reta final

Um dos fatos que mais chamam a atenção é que a diretora administrativa e financeira foi nomeada em julho, poucas semanas antes da assembleia que deverá extinguir a própria entidade.

A mudança ocorreu em um momento em que o Centro de Convenções já não pertence mais ao Município e quando a administração do espaço já havia sido integralmente assumida pelo Governo do Estado.

“Hoje cuidamos apenas da parte documental”

O diretor-presidente Roni Ragadali explicou que a entidade deixou de administrar o Centro de Convenções após a desapropriação do imóvel.

Segundo ele, o trabalho desenvolvido atualmente restringe-se à gestão documental e patrimonial da entidade, além das providências administrativas necessárias para a liquidação da pessoa jurídica.

“A nossa atuação hoje é basicamente documental e patrimonial. Estamos conduzindo os procedimentos necessários para o encerramento da entidade”, resumiu, sem, contudo, explicar o que seriam estas atividades, eis que o espaço já foi encampado pelo Estado.

Do sonho ao abandono

Idealizado para consolidar Foz do Iguaçu como referência nacional no turismo de eventos, o Centro Internacional de Convenções jamais alcançou plenamente esse objetivo.

Ao longo de décadas, o complexo permaneceu com obras inacabadas, estrutura considerada defasada e perdeu espaço para hotéis e centros privados, que passaram a receber os principais congressos e convenções realizados na cidade.

Enquanto isso, sucessivas administrações municipais mantiveram uma estrutura própria para gerir a entidade, sempre com diretoria recheada de cargos comissionados, e atraentes salários. Na prática um local onde os prefeitos nomeavam quem precisam abrigar, mas não queriam muito próximo da administração.

Diante desse cenário, o Governo do Paraná desapropriou o imóvel por R$ 74,269 milhões e assumiu sua administração. Atualmente, além da agenda de eventos, o Estado conduz o projeto de remodelação do espaço, que prevê aproximadamente R$ 200 milhões em investimentos privados, ampliação da área construída e capacidade para receber até 30 mil pessoas.

Centro Cívico ainda não saiu do papel

Quando anunciou a venda do Centro de Convenções ao Governo do Estado, a Prefeitura informou que os recursos obtidos com a desapropriação seriam destinados à construção do futuro Centro Cívico, projeto que reuniria repartições públicas municipais em um único complexo administrativo.

Mais de um ano depois, porém, o projeto ainda nem começou a saiu do papel.

Enquanto isso, a entidade criada para administrar o antigo Centro de Convenções continua existindo até a realização da assembleia desta quinta-feira, mantendo uma estrutura administrativa superior a R$ 50 mil por mês, embora o imóvel, a gestão do equipamento e até mesmo a agenda de eventos já estejam sob responsabilidade do Governo do Paraná.

Últimas notícias

Fique por dentro das principais notícias, acontecimentos e atualizações de Foz do Iguaçu e região.