Câmara de Comércio de Puerto Iguazú afirma que mudança pode afetar mais de 300 famílias e anuncia mobilização para tentar impedir a medida.
A possibilidade de transferência de operações de comércio exterior para o Porto Seco de Foz do Iguaçu provocou reação da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú. Em reunião realizada nesta semana, a entidade decidiu apoiar oficialmente a reivindicação apresentada por despachantes aduaneiros e representantes do setor de transporte de cargas contrários à medida.
Segundo a Câmara, a mudança poderá afetar diretamente a economia de Puerto Iguazú e comprometer centenas de postos de trabalho ligados às atividades aduaneiras.
De acordo com estimativas apresentadas durante o encontro, mais de 300 famílias poderão ser impactadas caso parte das operações passe a ser realizada no Porto Seco de Foz do Iguaçu. Entre os profissionais citados estão despachantes aduaneiros, agentes de transporte, auxiliares, carregadores, estivadores e outros trabalhadores vinculados ao comércio exterior.
A entidade também argumenta que a redução das atividades em Puerto Iguazú poderá provocar reflexos imediatos no comércio local e em toda a cadeia econômica do município.
Preocupação com a operação em território brasileiro
Outro ponto levantado pela Câmara de Comércio diz respeito à necessidade de empresas argentinas deslocarem funcionários para atuar em território brasileiro, caso as operações sejam concentradas no Porto Seco de Foz do Iguaçu.
Segundo a entidade, essa situação poderá gerar dificuldades relacionadas à legislação trabalhista, previdenciária, tributária e à contratação de seguros, além de aumentar a complexidade logística das operações.
Os representantes do setor também afirmam haver preocupação com a infraestrutura disponível e com aspectos relacionados à segurança operacional.
Investimentos em Puerto Iguazú
Como alternativa, a Câmara de Comércio defende que os investimentos sejam direcionados à modernização da Zona Aduaneira Primária de Puerto Iguazú, em vez da transferência das operações para o Brasil.
Na avaliação da entidade, o fortalecimento da estrutura existente permitiria preservar empregos, estimular a economia local e manter as operações de comércio exterior em território argentino.
Mobilização
A Câmara de Comércio informou que encaminhará manifestações formais ao Ministério da Economia da Argentina, à Direção-Geral das Alfândegas, às autoridades da Província de Misiones, a parlamentares nacionais e provinciais, além da Federação das Câmaras de Comércio Exterior da República Argentina (FECACERA) e do Centro de Despachantes Aduaneiros (CDA).
O objetivo é sensibilizar os órgãos responsáveis para que a proposta seja reavaliada.
Debate na fronteira
A manifestação da entidade argentina ocorre em um momento de reestruturação da logística de cargas na fronteira entre Brasil e Argentina. Nos últimos anos, Foz do Iguaçu ampliou sua importância como corredor do comércio internacional, impulsionada por investimentos em infraestrutura, modernização dos sistemas aduaneiros e fortalecimento do Porto Seco.
Até o momento, não houve manifestação oficial das autoridades brasileiras sobre o posicionamento divulgado pela Câmara de Comércio de Puerto Iguazú.



