Carta pede mudanças na Ponte; Sindifoz diz que Paraguai deve fazer sua parte

Documento propõe limitar caminhões durante o dia; entidade brasileira cobra melhorias na aduana de Ciudad del Este.

A divulgação de uma carta aberta da Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este, propondo mudanças na circulação de veículos na Ponte Internacional da Amizade, recebeu resposta do Sindicato das as Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas de Foz do Iguaçu (Sindifoz). Enquanto a entidade paraguaia defende restringir o tráfego de caminhões durante o dia para reduzir os congestionamentos, o sindicato brasileiro afirma que o principal problema está na infraestrutura e na operação da aduana paraguaia.

No documento, encaminhado às autoridades do Paraguai, a Câmara de Comércio argumenta que as longas filas prejudicam o comércio, o turismo, os investimentos e a mobilidade na fronteira. Como alternativa, propõe que os caminhões utilizem a Ponte da Amizade apenas entre 17h e 6h, liberando o período diurno para veículos leves, trabalhadores, turistas e ônibus. A entidade também pede maior articulação entre os governos brasileiro e paraguaio para encontrar uma solução definitiva para o problema.

Para o presidente do Sindifoz, Celso Gallegario, a carta deixa de abordar questões que, segundo ele, são fundamentais para melhorar o fluxo na fronteira.

“Eles precisam cumprir a parte deles em todos os sentidos. Quem dificulta o trânsito são eles mesmos. No setor de transporte, deveriam recepcionar caminhões à noite, igual faz o Brasil com a sua operação noturna, que atende as exportações do Paraguai.”

Gallegario afirma que o lado brasileiro já opera com atendimento noturno para o transporte internacional de cargas, enquanto o Paraguai mantém a movimentação concentrada na atual aduana de Ciudad del Este, estrutura que considera insuficiente para a demanda.

“As nossas exportações ficam sobre a Ponte da Amizade por horas porque eles insistem na aduana do ‘buraco’, em Ciudad del Este, sem infraestrutura e em condições precárias para os motoristas.”

O presidente do Sindifoz também rejeita a ideia de que os congestionamentos sejam consequência apenas da operação brasileira.

“É toda a culpa do Brasil? O Brasil faz o seu máximo, enquanto o Paraguai não faz o seu mínimo.”

Na carta aberta, a Câmara de Comércio sustenta que a liberação da Ponte da Amizade durante o dia favoreceria o comércio, o turismo e a economia regional, além de reduzir os impactos das longas filas enfrentadas diariamente por quem cruza a fronteira. A entidade também defende que Brasil e Paraguai mantenham um diálogo permanente para buscar soluções conjuntas para a mobilidade na região.

A manifestação evidencia que, embora haja consenso sobre a necessidade de melhorar a fluidez na Ponte da Amizade, representantes dos dois lados da fronteira divergem quanto às prioridades e às responsabilidades para solucionar os gargalos logísticos que afetam diariamente a ligação entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.

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