Argentina investiga rota de imigração ilegal de chineses via Tríplice Fronteira

Relatório da polícia argentina aponta 47 chineses sem registro migratório e investiga possível ingresso pelo Brasil via Foz do Iguaçu.

As autoridades argentinas investigam uma possível rota de imigração irregular de cidadãos chineses pela Tríplice Fronteira. Segundo o jornal argentino Clarín, um relatório reservado elaborado pela Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) alertou o governo após a identificação de 47 cidadãos chineses que tentavam embarcar em voos domésticos no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú sem registro oficial de entrada na Argentina.

De acordo com a reportagem, os casos foram identificados entre os dias 7, 8 e 10 de julho, durante fiscalizações de rotina no aeroporto. Os passageiros tinham como destino Buenos Aires e Córdoba, mas, ao serem submetidos aos controles migratórios, verificou-se que seus nomes não constavam no Sistema Integral de Captura Migratória (SICAM), responsável pelo registro oficial de ingressos no país.

A principal hipótese investigada pelas autoridades argentinas é que esses estrangeiros tenham ingressado na Argentina por vias não registradas, utilizando a região da Tríplice Fronteira como corredor de passagem. A suspeita é de que o trajeto tenha incluído o Brasil antes da entrada em território argentino.

Ainda conforme o Clarín, a PSA solicitou o aprofundamento das investigações para verificar se existe uma organização dedicada à facilitação da imigração irregular ou ao tráfico internacional de migrantes.

Durante as entrevistas realizadas pelos agentes, diversos passageiros apresentaram versões consideradas inconsistentes sobre o percurso realizado até chegar à Argentina. O relatório também registra que alguns dos investigados possuíam histórico de múltiplas entradas e saídas do país, circunstância que agora será analisada pelas autoridades.

A investigação reúne a atuação da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), da Direção Nacional de Migrações, da Gendarmeria Nacional, da Justiça Federal argentina e prevê cooperação com órgãos brasileiros. O objetivo é esclarecer a origem das viagens, identificar quem financiou os deslocamentos, quem adquiriu as passagens aéreas e verificar se existe uma estrutura organizada para facilitar a entrada irregular de estrangeiros.

Outro ponto analisado pelas autoridades é a recente flexibilização das regras de ingresso de cidadãos chineses no Brasil para viagens de curta duração. Embora essa mudança seja considerada um dos elementos do contexto investigado, o próprio relatório ressalta que não há, até o momento, qualquer evidência de que a medida tenha relação direta com os casos identificados, tampouco confirmação da existência de uma organização criminosa.

Até o momento, o caso é tratado pelas autoridades argentinas como uma investigação preliminar, sem conclusões definitivas. Pela intensa circulação de pessoas entre Brasil, Argentina e Paraguai, a Tríplice Fronteira permanece como uma das regiões que mais demandam ações integradas de fiscalização e cooperação internacional.

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